sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O PALOP

Era jovem, perspicaz, suave, doce, muito culto que quando o viam não davam nada por ele, tal era a sua aparente ingenuidade. Tinha conseguido uma bolsa para estudar numa das nossas universidades estatais, na mesma que estudavam meninos de muito boas famílias, e outros jovens que tinham que trabalhar em callcenters para pagar o seu estudo. Falava fluentemente várias línguas o que fazia que no callcenter quando recebiam uma chamada de algum estrangeiro, fosse ele a ficar com o encargo. Claro que não ganhava mais por isso. O sua capacidade era uma mais valia para a empresa, não para ele. Era tal a dificuldade em que vivia que para minimizar a fome, pedia emprestado. No fim do semestre, os meninos de bem que estavam a acabar e necessitavam de fazer a sua tese de fim de curso, como eram uns incapazes, pagavam-lhe 1000 euros por tese. Num mês fazia cerca de 4 testes. Todas laureadas. Dessa forma, conseguia pagar as suas dívidas, mas não conseguia obter notas para transitar para o terceiro ano. Simplesmente não tinha tempo. Afinal, o trabalho no callcenter e as 4 teses por mês não lhe deixavam tempo nem para dormir e nem pensar ir às aulas. No fim, os meninos bem iam trabalhar para o escritório do papá. O nosso jovem... encontrei-o no autocarro a chorar com as malas porque voltava para casa. Tinha chumbado. Que iria dizer à sua família que tanto esperavam dele?

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