quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Comprar, descartar, comprar. A obsolescência planeada

Benjamin Franklin

Benjamin Franklin: Quem está disposto a abdicar de parte da sua liberdade em favor da sua segurança não merece nem uma coisa nem a outra.

Países aparentemente diferentes

Uma jovem fez a seguinte observação: os alunos de uma turma universitária em Coimbra e os alunos de uma turma universitária em Lisboa parecem de ser de países diferentes. Em Coimbra, a larga maioria dos alunos está contra o pagamento de propinas; em Lisboa, a larga maioria dos alunos está a favor do pagamento de propinas. Curiosa constatação. Em Coimbra, a larga maioria dos alunos estudam nesta cidade mas residem fora dela; em Lisboa, a larga maioria dos alunos estudam nesta cidade e nela residem. Em Coimbra, a solidariedade e entreajuda transpira pelos poros; em Lisboa, impera a competição. Em Coimbra, estuda-se por sebentas e fotocópias; em Lisboa os alunos e professores assumem que os alunos compram os livros. Em Coimbra, os alunos consideram que estudar deveria ser grátis; em Lisboa, os alunos consideram que pagar propinas altas é uma garantia de qualidade no ensino.

Após a conclusão do curso, a diferença entre ambos esbate-se. Antes da conclusão do curso, quem reside em Lisboa acredita ingenuamente que o mercado da grande cidade está ao seu dispor. Depois da conclusão do curso, chega-se duramente à conclusão que a canção dos Deolinda retrata a história da sua vida.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Luta entre um ex-maoista e uma ex-comunista

Recordo-me que na ex-RDA, poucos meses antes da queda do muro, também houve eleições livres e o PSUA também teve uma maioria folgada. Logo a seguir, cai o muro, volta a haver eleições e o mesmo PSUA perde por larga maioria. Curiosamente, uma tal Merkel fazia parte deste mesmo PSUA... e agora temos uma ex-comunista como imperatriz europeia e um ex-maoísta como presidente da comissão europeia que travam uma luta desconhecida. Se há uns anos, alguém tivesse inventado esta história, seria visto como uma pessoa completamente desligada da realidade... mas se há coisa que tenho aprendido é que a realidade é sempre mais fantástica que a imaginação. Pois então sonhemos, porque certamente o que acontecerá será muito mais inverosímil do que aquilo que nos passe agora pela cabeça.

O plano perfeito

Declaremos uma verdade não demonstrada: O sector privado faz sempre melhor que o sector público. Até o Governo o diz. Por essa razão, e por uma questão de franqueza para com os votantes, o Governo deveria dizer publicamente que devido à aplicação da verdade enunciada, é incompetente e que a sua função deveria de ser privatizada lançando assim um concurso internacional. Por enquanto ainda dispomos de território que poderá ir servindo como forma de pagamento.

Acontece que quando foi eleito, o Governo já tinha a vida simplificada... pois um consórcio internacional já se tinha adiantado, oferecendo à cabeça quase 80 mil milhões de euros a serem pagos em tranches ao longo de 3 anos.

E como a terra não serve para grande coisa, pois esta só vale se tiver labregos lá dentro para a trabalhar, preferiram que vendêssemos as nossas empresas (energia, transportes, correios) a preço de saldo, pois a renda que estas geram é mais fiável, já que os consumidores estarão cativos de monopólios. Bem visto.

Além disso, pediram também que a sociedade fosse alterada de forma a que aqueles serviços que ficavam nas mãos do Estado (sistema de ensino e de saúde) fossem dados a empresas privadas de forma a gerar rendas graças novamente ao facto de os consumidores passarem a estar cativos de monopólios. Novamente tratou-se de um bom negócio.

Mas como todo o negócio deveria ser financiado, e além disso, era boa ideia reduzir o preço da mão de obra, propôs-se reduções salariais e aumento de impostos aos contribuintes.

Na realidade, conseguiu-se fazer com sucesso o outsourcing da governação. Desta forma, deixou de ser necessário enunciar qualquer política económica, qualquer orientação para os próximos anos a não ser a afirmação de que ainda vai ser pior.

Assim, o consumidor limita-se a cumprir com a sua nobre função de consumidor e contribuinte, o que garante a manutenção das tão necessárias rendas. Além disso, consegue-se um mercado de 10 milhões que produzem cada vez menos o que aumenta a necessidade de maiores importações.

O plano é perfeito. Nada pode falhar. Acabaram-se os problemas.